Carnaval II
dias e noites de todos os excessos da alma
não há medo nas ruas, não há mágoas pelo chão
não há o cinzento do nevoeiro que nos invade pelas manhãs adentro
não há o bom dia boa tarde nem o aperto de mão mole e frio
não há a máscara da doutora. essa guardei-a para daqui a nada, quando me fizer falta.
nestes dias e noites de todos os excessos, há tudo o que se deseja
invento as minhas cores, as minhas magias as minhas fantasias assustadoras ou belas ou feitas de almas que vou compondo ao longo dos tempos de ser.
e rolam pelo ar plumas multicores
voando pelo meio do fumo excessivo dos cigarros
e navegam pelo meu rosto pássaros e flores e cores
gargalhando pelo meio do álcool bebido para além da sede
e comungo sorrisos cúmplices com desconhecidos
dançando lado a lado com quem se entende porque somos iguais
e eu entro no delírio de ser mais uma cor
no meio do corso multicor
e deixo-me embalar pela ondulação dos braços pendentes
dos bonecos grandes como o mundo
e deixo-me encantar uma e mais outra vez pelo troar ancestral
dos Zés- homens-meninos fantásticos na sua força de fazer música que nos invade
o corpo e a alma.
A todos. A festa é nossa. A festa está na rua. O ritual está cumprido.
FOTO de - Michael Barnes